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Eu e Você

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

PROFESSORAS APAIXONADAS

PROFESSORAS APAIXONADAS

As professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidas pela ideia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonadas, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupadas com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
Apaixonar-se sai caro!
As professoras apaixonadas, com o usem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonadas, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
As professoras apaixonadas muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão.
Mas a professora apaixonada não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente. Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
As professoras apaixonadas querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos das professoras apaixonadas brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ela mesmo, professora, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.

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UMA CAIXA DE LEITURA

Certo dia, numa floresta, uma menina encontrou uma misteriosa caixa mágica. A caixa estava repleta de objetos interessantes: um sapatinho de cristal, uma maça envenenada, um par de botas (não se tratava de uma caixa de sapatos), uma espada (curiosamente incrustada em uma pedra), um gorro vermelho, uma agulha, uma sombra (isso mesmo, uma sombra), um arco e flechas e, finalmente, um sabugo de milho.
Mas, infelizmente, toda vez que ela retirava um dos objetos da caixa, aparecia alguém para levá-los.
O sapatinho foi levado por uma fada que não se cansava de perguntar:
- Que horas são? Que horas são?
A maçã esta prestes a ser devorada, quando surgiu uma bruxa ranzinza:
- Preciso ir, preciso ir...
As botas por incrível que apreça, foram roubadas por um gato!
Um menino, não se sabe por que puxou a espada e saiu cantarolando:
- Vou ser rei, vou ser rei!
O gorro vermelho ficou com uma garotinha que precisava ir a casa da vovó. Só que a agulha foi levada pela bruxa, que, de tanta pressa, acabou espetando o próprio dedo.
Pois é, quem diria! A sombra também tinha dono, era de um garoto voador (parece impossível, mas é verdade).
E, ainda, apareceu um rapaz que dizia ser o melhor arqueiro da Inglaterra, pegou o arco e as flechas.
O mais estranho que aconteceu foi o caso de um sabugo de milho que era amigo, imaginem, de uma boneca de pano.
Desanimada, a menina vê a caixa vazia, e eis que lá no fundo ainda irradiava um brilho dourado.
- O que será isso? – pensou ela – Uma moeda? Não era uma moeda e sim um anel.
Nesse instante, um mago de longos cabelos brancos apareceu e a menina que entregava todos os objetos disse:
- Por que não posso ficar com os meus tesouros?
E apontando para o anel, o ancião respondeu:
- Engana-te, tu não perdeste teu tesouro!
A menina, naquele momento, recebeu uma inscrição que dizia:
“Deixo-te esse anel, as pessoas que nele tocarem à leitura, para sempre vão se prender”.
Assim, ela compreendeu que não havia perdido seu tesouro, que para sempre o reencontraria nos livros.

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